![]() ![]() Contando o Tempo: E as Pessoas: ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ANDAR COM ASAS
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Henrique Chagas SP ![]() ![]() Valcilon Silva Outras Coisas: ![]() ![]() Já Passou: (Confira!) ![]() ![]() |
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O seu tempo já parou?
Sou forte, sou por acaso ... Minha metralhadora cheia de mágoas Eu sou um cara Cansado de correr na direção contrária Sem pódium de chegada Ou beijo de namorada Eu sou mais um cara... Mas se você achar que eu estou derrotado Saiba que ainda estão rolando os dados Porque o tempo, o tempo não pára... Dias sim, dias não Eu vou sobrevivendo sem um arranhão Da caridade de quem me detesta A tua piscina está cheia de ratos Suas idéias não correspondem aos fatos O tempo não pára ... Eu vejo um futuro repetir o passado Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro Escrito por Lilian Mello às 15:25:55 [] [Conte Para Alguém!] ![]() Escrito por Lilian Mello às 15:21:34 [] [Conte Para Alguém!] Por quem você "nadaria de braçada"? As minhas lembranças não possuem datas. Nelas, há lugares. Cheiros. Sensações que nunca foram embora. Gente. Muita gente. E com elas a permanência de um "Dèjá Vu". Gente comum. Gente tão diferente... Fiquei com vergonha de mim. Dos meus luxos. Das minhas exigências para viver:
Inês nunca tinha tomado, ou dado nos filhos, um banho de chuveiro. Não sabia
como abrir uma torneira tão diferente como aquela.... Emprestei o perfume da
Alice, para ela passar em Camila. Depois toda hora, Inês repetia: "Camila agora
tá com xerô de Alice!".
![]() Conto pra ela, que estou envergonha... Saio de Barbacena às 04h. Viajo só três horas para chegar em Belo Horizonte....Pôxa! digo eu. "Atravessar um rio, de balsa, com três crianças.... "E ela me diz, baixinho, como se me contasse um segredo: Escrito por Lilian Mello às 14:59:24 [] [Conte Para Alguém!] Indo Embora... Ontem
você se despediu de mim...Você está deixando o serviço público, por motivos
particulares.
Suas
palavras nem soaram doces, na despedida. E naquela quarta-feira, no Hospital Sarah em Belo Horizonte, eu fumava
traquilamente, quando atrás de mim, alguém diz: Fumar faz mal. Sim, eu já sabia
disso... Era Diego! Pela primeira vez na minha vida, me apaixonei assim, de repente... Ela é sua filha? É.Qual o nome dela? Alice Adorava o verão. Janaúba era muito quente. Você tá com saudade de alguma coisa? Que coisa, Diego? De alguma coisa, ora! A gente sempre tem saudade! Ele estava com saudade dos irmãos que tinham ficado lá em Janaúba e que ele
não via há 2 meses. Sua filha tá chorando. Eu ouví, Diego...Vou embora. Não gosto de criança
quando começa com muito choro!
Mais tarde, encontro a mãe dele e ela me conta que Diego é portador de
DERMATOMIOSITE JUVENIL. Já não consegue andar. Nem levantar os braços.Têm
incontinência urinária. Problemas respiratórios, que lhe causam o cansaço.
Problemas cardíacos e problemas no tubo digestivo, transformando a alimentação
em um problema sério. As úlceras e descamações na pele eram vísiveis.
Constantemente as roupas ficavam minadas de secreções e sangue.Diego tinha 16
anos. Jogava basquete, lá em Janaúba. Descia ladeiras de carrinho de rolimã.
Adorava música.Sonhava com um computador.Isso tudo, antes da doença progredir e
minar a sua vontade, trazendo consigo uma enorme depressão... Escrito por Lilian Mello às 14:32:10 [] [Conte Para Alguém!] FOI ASSIM/ FLÁVIO VENTURINI
![]() ...Foi assim, como ver o mar, Escrito por Lilian Mello às 14:17:59 [] [Conte Para Alguém!] Algumas experiências novas: *No primeiro dia de SARAH, um grande cortejo: deficiências de todos os estilos, tipos, maneiras. Tutores, muletas, cadeiras de rodas.crianças que falam, outras não, que pensam, que não vivem nesse mundo. Mães plácidas, outras indignadas. Cai a ficha: Alice também é deficiente. Será deficiente o resto da vida. E uma voz, me conta em segredo: "Essa será a sua vida. Até o seu último dia de vida!" *A solidão extrema: Numa das internações da Alice, eu continuava com milhões de perguntas na cabeça e nenhuma resposta. Mesmo assim a família comemorava, numa festa de amigos, em Juiz de Fora/MG. * A solidão compartilhada:Elvira!O garoto dela (5 anos) havia caído numa caixa d'água e adquirido paralisia cerebral. Choramos juntas no banheiro. Sem medo, sem vergonha...E rimos juntas depois, enquanto nossas vidas, se despedaçavam.Cadê você, Elvira?Perdi o fone de contato numa dessas trocas de agenda. E depois disso aprendí que:Nem sempre as coisas são o que a gente vê. Nem sempre as pessoas são o que parecem ser...E comecei a ficar mais esperta....A olhar mais para os lados. Dos que trabalham lá: *ROGER: Ele trabalha como recepcionista. Muito gentil, sempre agradável. Nenhuma foto. Elas eram proibidas por eles! Escrito por Lilian Mello às 14:06:55 [] [Conte Para Alguém!] No princípio do tratamento a Alice ia ao Sarah 2 vezes por semana. Depois 1 vez a cada quinze dias. E depois? Só Deus sabe... Hoje, creio que dificilmente a Alice tivesse obtido a evolução que teve, se continuasse lá. Eles não apostaram nela... Em nenhum momento.
![]() Engatinhar? Nem pensar.Chegar num tutor longo? Impossível.Falar com perfeição? Nem com a ajuda de 50 fonoaudiólogas. Problemas psicológicos? Apareceriam na família toda, ao longo da viagem pela mielomeningocele. Na última consulta, um médico ("eu sou o máximo"), me disse que ela não obteria uma evolução maior do que já tinha. ![]() Deveríamos providenciar uma cadeira de rodas e fim de caso. Se eu tentasse fazer a cirurgia do joelho, agravaria ainda mais o quadro de deformidade e aí...sim, ela ficaria com chance de? nada. Mas no fundo, no fundo, a realidade para a Alice foi outra. E as únicas coisas que me pareceram verdadeiras, é que pós graduação não faz bem prá todo mundo!E que defender o pão de cada dia é muito díficil! Você precisa se moldar aos princípios da instituição onde você trabalha, ficar com a cara dela.E começa a ignorar os outros. E ignora à si mesmo. E ignora os seus próprios princípios... Escrito por Lilian Mello às 13:45:47 [] [Conte Para Alguém!] A Associação das Pioneiras Sociais (APS) - entidade de serviço social
autônomo, de direito privado e sem fins lucrativos - é a Instituição gestora da
Rede SARAH de Hospitais do Aparelho Locomotor
![]() A Rede SARAH retorna em serviços de saúde os impostos pagos pelo cidadão. Um dos princípios da Insituição:TRANSFORMAR cada pessoa em agente de sua própria saúde. Escrito por Lilian Mello às 13:30:06 [] [Conte Para Alguém!] A necessidade de arrecadar fundos para a AACD tornava-se cada vez mais relevante e coube à chamada "equipe social", formada depois da fundação da Associação, viabilizar as ferramentas. Junto com a equipe de médicos da entidade, voluntários, pessoas da comunidade e membros do Exército formaram um verdadeiro desfile de tropas pedindo doações para a população nas ruas do centro da cidade de São Paulo.A AACD conta com alguns importantes canais de arrecadação: os cartões de Natal são a forma há mais tempo no ar para obtenção de recursos, que se tornou uma tradição. O TELETON tornou-se a maior fonte de recursos para a AACD e promoveu o crescimento da capacidade de atendimento aos portadores de deficiência física. No período de doze meses, desde a última arrecadação, no TELETON 2001, a entidade aumentou 23,6% o atendimento aos portadores de deficiência. A AACD realiza, diariamente, mais de 4 mil atendimentos nas suas cinco unidades no Brasil: duas em São Paulo (SP), uma em Porto Alegre (RS), uma em Recife (PE) e uma em Uberlândia (MG). Nas quatro edições realizadas, o TELETON arrecadou um total de R$ 45 milhões, investidos na construção e manutenção dos centros de reabilitação da AACD. (Extraído do Site "O Fuxico) Escrito por Lilian Mello às 13:24:10 [] [Conte Para Alguém!]
![]() Escrito por Lilian Mello às 13:06:59 [] [Conte Para Alguém!] A primeira instituição de reabilitação que a Alice frequentou foi a AACD. Falar da AACD é uma coisa complicada...A mídia toda construiu uma parte daquilo tudo. A experiência e os anos de trabalho de alguns médicos, construíram uma outra parte daquele monumento à deficiência. Fizemos parte de um dos Teletons. A Alice era pequenina e viajávamos de
Barbacena às 22h de domingo para amanhecer lá na segunda feira. Retornávamos
para Barbacena às 11h, da terça-feira.Loucura? quase!As viagens eram
relativamente fáceis. Uma psicológa, me lembro bem, na triagem , sabendo que eu era dona-de-casa,
me perguntou "- você não faz nada?". Eu quase perguntei à ela onde ela tinha
feito universidade... O que sobrou da AACD? *Carla Tavanti e sua Vitória! (Por causa dela cresceu a minha simpatia pelos grupos da internet)! *Raimunda e sua humilde casa nos oferecendo hospedagem!(Sempre com boa vontade! Descobrí no mundo, outras poucas pessoas como ela)... *Olímpio (que também nos cedeu sua residência) e sua paciência com alguns choros e os vômitos da Alice durante a madrugada! *Míriam (psicóloga de Três corações...cadê você??????)) e seu bom papo sobre o mundo que nos cerca,durante a viagem)! *Silder (que trabalha lá na AACD, sempre com sua imensa gentileza nunca ví aquele rapaz nervoso!..."Bom dia,Dna. Lilian! Oi, Alice!" *Sr. Walter, que trabalha na oficina de lá, que sempre dava um jeito das "botinhas" da Alice ficarem prontas com mais agilidade...ou seja: "prá ontem". *E a foto aí embaixo, da Alice com a fisioterapeuta Andréia, numa das sesões de fisioterapia:
...E a vontade de nunca mais voltar lá! Escrito por Lilian Mello às 12:52:12 [] [Conte Para Alguém!] "Durante muitos anos esperamos encontrar alguém que nos
Escrito por Lilian Mello às 12:43:31 [] [Conte Para Alguém!] ![]() Escrito por Lilian Mello às 12:39:22 [] [Conte Para Alguém!]
Eu, Mas...Estou pensando agora: Se uma criança me tomasse pela mão, Meu Deus ! E, no fim do corredor, Deus simples! Deus negro!
Escrito por Lilian Mello às 12:00:55 [] [Conte Para Alguém!] Hoje tento usar, não com muita expectativa, a arte do raciocínio, da estratégia e da paciência, que ainda me falta, muita. O raciocínio,veio chegando de mansinho, quando percebi que só perguntar aos médicos não resolveria e nem mudaria o caso clínico da Alice. Respostas vieram quando resolvi partilhar com outras mães a minha vida e a vida da Alice, quando descobri que elas tinham as mesmas dúvidas, os mesmos receios e muitas vezes não tinham o que eu tinha: comida para comer, roupa para vestir, um abraço em casa para receber na chegada, após mais um dia, longo, de tratamento do filho. A estratégia veio subitamente: resolvi estudar. Em breve serei Instrumentadora Cirúrgica. Quis entender um pouco mais a morte, a vida e a conseqüência de ambas, no coração de outras pessoas. A paciência....bem me dedico a ela todos os dias: antes das viagens, sem horário previsto de retorno. Antes de ir para a aula e provar, através de atestados contínuos, que tenho faltas pois estou exercendo, não mais que um direito, uma obrigação legal e civil, de dar continuidade ao tratamento de minha filha. Ou quando ouço, uma pergunta assim, (geralmente quem a faz tem os olhos espantados) : “ O que ela tem?” ... Alice tem hoje, um pai, que continua zelando por ela e não deixa de amá-la por causa da deficiência. Tem duas irmãs, que merecem os louros da glória da dicção e do desenvolvimento motor dela e da alegria de saber que tem irmãs sempre prontas para uma brincadeira ou um afago. Tem muitos amigos, via mail, via correio, via ônibus, via portaria de hospital, via mundo. Tem uma Instituição de Utilidade Pública que dá a ela , além de tratamento gratuito, carinho e dedicação. A Associação Mineira de Reabilitação, foi a única Instituição, que nos “coube”. E lá também está nosso coração. Alice tem hoje uma escola para freqüentar. Tem um novo natal pela frente, novos presentes. Novo ano que chegará cheio de desafios que serão transpostos, novas viagens que serão feitas, novas situações e novas perguntas e dessa vez, com respostas. Alice tem a mãe dela. Que ela escolheu. Essa mãe meio que maluca, que não escuta ninguém quando não quer, que vê o que os outros teimam em não enxergar, que fala mais do que devia, que estuda menos do que gostaria, que não tem medo de gente, não tem medo de título e de diploma, que a única oração que faz é sair de casa com ela nos braços às 4h, que conhece o preconceito, o descaso, a ironia, a solidão. Mas que também conhece o acaso, a surpresa e o sabor da vitória. Essa mãe tão diferente, se descobriu deficiente! E ora, veja só, precisa da Alice, que não consegue andar, para continuar aprendendo a caminhar...
Escrito por Lilian Mello às 07:52:58 [] [Conte Para Alguém!] Sim. Hoje a Alice está com três anos e eu não tenho dúvidas! Alice é deficiente! O médico também. A instituição. O porteiro. O motorista do táxi. O camelô da esquina. A telefonista. O comerciante. A empregada doméstica. A mais linda e bela criatura, que virou artista de televisão... O Estatuto da Criança e do Adolescente é deficiente. O Município onde a Alice mora é deficiente, não se responsabilizou nem pelo tutor que ela usa para conseguir ficar de pé e nem pela melhoria das viagens que fazemos: na grande maioria das vezes só retornamos para casa por volta das 22h. O Estado que governa as leis que não são usadas em benefício da Alice é deficiente. O País sem lei , que não penaliza uma escola que não aceita a Alice, por ser portadora de deficiência, é um País deficiente. A família da Alice é deficiente: todos tiveram medo da grande transformação que seria a Alice... Todos tiveram medo da morte da Alice. Todos tiveram medo durante as 08 cirurgias da Alice. Todos tiveram medo da incapacidade total da Alice.Todos ainda tem medo da primeira cadeira de rodas da Alice, que chegará em breve... Para mim, a “grande mãe deficiente”, só me restou uma pergunta: “Alice, me ensina a caminhar?”... Digo caminhar, pois todos acham que a Alice merece andar. Andar é conseguir se deslocar de um local para outro com equilíbrio e dinâmica. Caminhar é mais complexo e mais necessário: caminhar envolve raciocínio, estratégia e muita paciência... E mais do que andar, Alice precisa caminhar. Eu sou deficiente: não sei caminhar. Escrito por Lilian Mello às 07:52:51 [] [Conte Para Alguém!] "Alice, me ensina à caminhar?" Saí de casa às 4h. São apenas 07:30h e estou num movimentado hospital de Belo Horizonte, para portadores de deficiência física, após 3 horas de viagem num carro municipal, com muitos pacientes. Alice, de apenas 07 meses, no meu colo, mama. Vejo, em minha frente um estranho cortejo: passa uma criança balbuciando coisas ininteligíveis, outra numa cadeira de rodas, gêmeos sem os braços e as pernas, crianças com um andar desajeitado, outros em estado vegetativo repousam numa maca à espera do atendimento, vejo também braços tortos, pernas tornas, rostinhos deformados e na maioria das vezes, imensamente tristes. Alice acaba de mamar e dorme tranqüilamente... Continuo observando, agora, os pais e mães que tenho pela frente: uns angustiados, reclamam do tempo de espera, sempre longo, outro mais adiante grita com o filho que não quer tomar um iogurte, outra mãe fala baixinho com outra mãe que está esperando vaga num hospital melhor. Olho, sem querer, para a recepcionista do balcão de informações, sempre sorridente e paciente. Tenho a impressão que ela gostaria de estar em qualquer lugar, menos ali, naquela hora. Olho para a Alice em meu colo, e tenho a noção, exata, que aquelas serão imagens que passarão pelos meus olhos até o último dos meus dias: Alice é portadora de Mielomeningocele e hidrocefalia e resolveu me escolher, para partilhar com ela as descobertas de um mundo novo: um mundo de deficientes que sabem que são deficientes e outros deficientes que nem se imaginam deficientes, se assumem como perfeitos e normais, mas que também são deficientes. Um mundo bem diferente, diga-se de passagem... Um mundo onde nem todas as nossas perguntas terão respostas, onde nos fazem perguntas e nos dão perguntas como respostas. Um mundo, onde amigos novos irão sendo feitos, pois os antigos amigos, têm novos propósitos. A deficiência física ainda não é do interesse da comunidade, nem do Estado e muito menos do País, que não têm um programa específico para os deficientes e ainda nos deixa amargar numa fila de espera de meses, jogando por terra um tratamento que quanto mais cedo for iniciado, mais progressos terá. Tratamento, que quando arcado pela família, levará embora patrimônio e energia de todos os que habitam a mesma casa. Tratamento que dependerá de 07 ou 08 especialistas, que muitas vezes, de especialistas, só tem a especial missão de nos alertar que somos mães, e que não sabemos nada, e que não queremos ouvir nada de verdadeiro sobre o diagnóstico de nossos filhos, que não temos recursos, que não teremos forças, que não teremos mais paz! Nesse dia um deles me disse: “Sua filha é linda”. E eu prontamente respondi: ” E inteligente” e ele, para que eu não tivesse dúvidas, concluiu: “E deficiente!”. Escrito por Lilian Mello às 07:51:58 [] [Conte Para Alguém!] Alice Mello de Resende. 04 anos. Portadora de Mielomeningocele e Hidrocefalia. Barbacena/MG. Escrito por Lilian Mello às 15:22:02 [] [Conte Para Alguém!] |